O coletivo de rap Dealema celebra, esta sexta-feira no Coliseu do Porto, 30 anos de um percurso independente, com o passado sempre presente e a apontar para o futuro: de “96 ao Infinito”.
No palco do Coliseu do Porto, que pisam pela primeira vez para um espetáculo em nome próprio, os Dealema vão mostrar “passado, presente e futuro”, num concerto “especial, com bastantes ingredientes”.
Numa entrevista à agência Lusa, Mundo Segundo, um dos cinco elementos do grupo, disse: “Vamos viajar pela nossa obra, mostrar um pouco da obra nova [o álbum “96 ao Infinito”, editado no dia 13] e acrescentar uma textura de que as pessoas não vão estar à espera”.
Além dos cinco Dealema – DJ Guze, Expeão, Fuse, Maze e Mundo Segundo – haverá convidados, cujos nomes permanecem em segredo.
Trinta anos depois de terem começado, os Dealema apresentam-se, naturalmente, com mais idade, quase nos 50 anos de vida, mas “com a mesma pica, a mesma vontade de criar e o mesmo entusiasmo” que tinham no final dos anos 1990, garantiu Maze na mesma entrevista.
Os 30 anos de carreira dos Dealema começam a ser contados a partir de “Expresso do Submundo”, o primeiro EP que gravaram, em cassete, e distribuíram de mão em mão, no Porto e em Vila Nova de Gaia, cidades de onde são originários.
Então adolescentes, juntou-os a paixão por uma cultura – Hip-Hop – que dava os primeiros passos em Portugal, recordaram Fuse, Maze e Mundo Segundo.
O nome do grupo, a definição de uma identidade, da sonoridade e do que queriam dizer surgiu “de uma forma muito natural, da experimentação de jovens adolescentes apaixonados pela Arte”, acrescentou Maze.
Na altura, as principais referências que tinham chegavam dos Estados Unidos, sobretudo de Nova Iorque, por isso ainda experimentaram cantar em inglês, enquanto Freestyle Assassins. As rimas dos Dealema foram sempre em português.
À época não lhes passava pela cabeça imaginarem que um dia poderiam fazer do rap profissão.
O primeiro álbum dos Dealema, homónimo, saiu pela NorteSul, selo da editora Valentim de Carvalho. Fora isso, todos os outros foram editados de forma independente, algo de que nunca se arrependeram.
“96 até ao Infinto” – que remete para o álbum dos Souls of Mischief, “93 ‘Til Infinity”, editado em 1993, na “época dourada do hip-hop” – representa tudo o que os Dealema já criaram, vão continuar a criar, mas também o legado que deixam.
O concerto no Coliseu do Porto será único, mas todos os que acontecerem ao longo do ano “serão de celebração” dos 30 anos de carreira de um grupo de cinco amigos que adoram fazer música e que, enquanto fizer sentido, irão fazê-lo “enquanto a voz permitir”.
Fonte: Lusa
Liliana Teixeira Lopes

