Liliana Teixeira Lopes
Aos cinemas esta semana chega o aclamado “La grazia”, de Paolo Sorrentino, com Toni Servillo no papel principal de um presidente italiano fictício, Mariano De Santis, cujo mandato está a acabar. Conhecido como “Cemento armato” (betão armado) devido à sua natureza intratável e à abordagem demasiado cuidadosa da política, o presidente sente-se sozinho nos corredores do palácio presidencial, lamentando a perda da sua mulher e ouvindo hip-hop. Antes de regressar à vida civil, De Santis tem de tomar uma série de decisões – perdões presidenciais e um projeto de lei inovador – que irão assegurar o seu legado.
“La grazia” foi o filme de abertura do 82º Festival de Veneza, em competição e faz parte também da festa do Cinema Italiano que está a decorrer.
A “aventura tão extraordinária” da mãe da artista plástica Ana Pérez-Quiroga, por Espanha, União Soviética e Portugal, chega às salas de cinema nacionais também esta semana, no filme “¿De qué casa eres?”.
O documentário, que já passou por festivais e universidades de vários países, conta a história de Angelita Pérez, nascida no País Basco, no nordeste de Espanha, e enviada pela família, em 1937, quando tinha quatro anos, com a irmã de cinco, para a então União Soviética (URSS), onde viveu até aos 24 anos, depois de passar por diversos locais que são hoje território da Ucrânia e da Rússia.
Angelita Pérez, que pouco depois de regressar a Espanha, licenciada em Medicina em Moscovo, se casou com um médico português, adotou a nacionalidade portuguesa e veio viver para Portugal, onde ainda hoje reside. Foi uma das 30 mil crianças espanholas enviadas, sem os pais, para países estrangeiros para escapar à guerra civil de 1936-1939, que desembocou na ditadura do general Francisco Franco.
Na URSS, Angelita Pérez acabou por viver outra guerra, a II Guerra Mundial, o que a levou a andar de cidade em cidade e de colégio interno em colégio interno, até perto da Sibéria, em episódios que se foram sucedendo e estendendo por milhares e milhares de quilómetros que conta, num diálogo com a filha, no filme “¿De qué casa eres?” (“De que casa és?”).

