Um estudo recente da Universidade de Leeds concluiu que mulheres com idades entre os 40 e os 65 anos podem beneficiar significativamente em termos de saúde mental ao frequentarem eventos de música eletrónica e saídas noturnas.
A investigação, publicada em abril de 2025 na revista Psychology of Music, analisou as motivações e experiências de 136 mulheres com mais de 40 anos que participam regularmente em eventos de dança.
Os resultados mostram que a grande maioria das participantes reconhece um impacto positivo no seu bem-estar psicológico. Cerca de 91% afirmaram que sair à noite contribui para a sua sensação geral de felicidade, enquanto que 92% disseram sentir-se “em casa” em ambientes de música eletrónica.
Segundo as inquiridas, estas experiências funcionam como uma forma de escapar às pressões do quotidiano e constituem um importante meio de expressão pessoal. Muitas relataram ainda uma forte ligação com outras pessoas que partilham os mesmos interesses, independentemente da idade.
O estudo revelou também que 81% das participantes frequentam este tipo de eventos há mais de 20 anos, e 91% participam neles pelo menos entre quatro a seis vezes por ano. Para além de discotecas, 84% indicaram que vão regularmente a clubes, 81% frequentam festivais e 25% participam em raves ilegais.
Apesar dos benefícios apontados, algumas mulheres referiram sentir, ocasionalmente, que não pertencem a esses espaços devido à idade. Ainda assim, mais de metade disse receber comentários positivos de outros frequentadores.
Um dos aspetos mais sensíveis revelados pelo estudo foi o consumo de substâncias: cerca de 65% das participantes admitiram utilizar drogas para intensificar a experiência.
Os investigadores sugerem que estes resultados desafiam estereótipos sobre o envelhecimento e demonstram que a vida noturna pode desempenhar um papel relevante no bem-estar emocional em fases mais tardias da vida.
Mariana Cruz

