Uma nova aplicação, a Seen Live, está a dividir opiniões no universo da música eletrónica. Descrita pelos seus criadores como uma espécie de “Letterboxd para a vida noturna”, a plataforma permite aos utilizadores registar os eventos a que assistem, guardar fotografias e vídeos, descobrir novos artistas e, mais controverso, atribuir classificações a sets de DJs, concertos e festivais.
A ideia nasceu da vontade de criar um arquivo pessoal de experiências musicais ao vivo. Segundo o fundador Jordan Taylor, a aplicação pretende ajudar os utilizadores a recordar artistas que viram atuar e a descobrir nova música através das avaliações e recomendações de outros membros da comunidade.
No entanto, a funcionalidade de classificação por estrelas desencadeou uma onda de críticas nas redes sociais e entre vários profissionais da indústria. Muitos consideram que a aplicação representa mais um passo na tendência de transformar experiências culturais em métricas e rankings.
Entre as preocupações levantadas pelos críticos estão ainda a possibilidade de campanhas de avaliações negativas entre artistas e a dificuldade em verificar se quem comenta esteve realmente presente num evento.
Apesar das críticas, a Seen Live também encontrou apoiantes. Alguns utilizadores elogiam a componente de arquivo e memória, sublinhando que muitos clubbers já utilizam outras plataformas para guardar fotografias, vídeos e recordações das noites que vivem. Para estes utilizadores, a aplicação apenas centraliza práticas que já existem.
As reações à Seen Live mostram um debate mais amplo sobre o futuro da cultura de clube: até que ponto a experiência de uma pista de dança deve ser documentada, partilhada e avaliada? Para muitos artistas, a resposta é simples: algumas coisas continuam a fazer mais sentido quando ficam apenas na memória de quem as viveu.
Mariana Cruz

