O Festival de Veneza chega à sua 83ª edição esta quarta-feira, e entre celebridades do cinema mundial, poucas estreias hollywoodescas e uma competição que reúne veteranos como Werner Herzog, Hirokazu Kore-eda, Lee Chang-dong e Nanni Moretti, a mostra será atravessada por questões políticas, sobretudo a guerra em Gaza.
“Ink”, de Danny Boyle, é o filme de abertura. Protagonizado por Jack O’Connell, Guy Pearce e Claire Foy, o filme acompanha a criação do tablóide britânico The Sun, por Rupert Murdoch e Larry Lamb, que, “contra todas as expetativas, se tornou no jornal mais vendido em todo o mundo”, como descreveu o próprio Danny Boyle.
Ao todo, 21 longas disputam o Leão de Ouro na mostra principal, uma das oito secções que compõem a programação da mostra de cinema. Entre os títulos está “Bucking Fastard”, novo filme de Werner Herzog, que acompanha gémeas que dividem o jeito de falar, os sonhos e o amor pelo mesmo homem. O elenco reúne as irmãs da vida real Kate Mara e Rooney Mara.
Martin McDonagh, por sua vez, apresenta “Wild Horse Nine”, história de dois agentes da CIA enviados para a Ilha de Páscoa num teste de confiança da dupla. O filme reúne John Malkovich, Sam Rockwell, Steve Buscemi e Tom Waits.
Já o italiano Nanni Moretti volta à competição com “It Will Happen Tonight”, filme que acompanha um casal de antigos amantes em busca de uma segunda oportunidade.
Outro dos títulos que gera grande expectativa é “Primetime”, de Lance Oppenheim, com Robert Pattinson. O filme é baseado na história de Chris Hansen, apresentador do programa de TV americano “To Catch a Predator”, que desmascarava pedófilos.
A competição ainda recebe “Look Back”, do japonês Hirokazu Kore-eda, sobre a amizade entre duas jovens unidas pelo Manga.
Dos israelitas Yuval Abraham e Rachel Szor, que coassinaram o premiado “No Other Land”, Veneza exibe na competição “NAZA”, documentário rodado numa só noite em terraços em Telavive e que, segundo a sinopse, denuncia “em detalhe os métodos de Israel de extermínio deliberado em massa de civis palestinianos em Gaza”.
No festival haverá ainda “Joie de vivre”, filme de sete horas de Luca Guadagnino sobre o realizador italiano Bernardo Bertolucci, “Musk”, de Alex Gibney sobre o magnata Elon Musk, e “Oasis: Don’t Look Back in Anger”, de Dylan Southern e Will Lovelace.
Da programação faz parte ainda a coprodução portuguesa “A Noiva Difícil”, da realizadora bengali Rubaiyat Hossain, com direção de fotografia de Leonor Teles, participação de equipa técnica portuguesa e apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual.
Na secção de Clássicos, será exibido o filme “Udju Azul di Yonta”, do realizador guineense Flora Gomes, numa versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa.
Num dos eventos paralelos do festival, o realizador Pedro Costa vai receber, no sábado, o prémio italiano de cinema Robert Bresson, atribuído pela Fondazione Ente dello Spettacolo com o patrocínio da Santa Sé.
A 83ª edição do Festival de Cinema de Veneza termina a 12 de setembro com o filme “Dio Ride”, de Giovanni Veronesi.
Entre os homenageados, o festival entrega Leões de Ouro pelo conjunto da obra aos atores George Clooney e Ellen Burstyn.
O júri do Festival de Cinema de Veneza é presidido por Maggie Gyllenhaal.
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Fonte: Lusa
Liliana Teixeira Lopes

