Liliana Teixeira Lopes
Entre 19 e 28 de novembro, o Festival Porto/Post/Doc regressa à Invicta para a sua 13ª edição.
A Competição Internacional e a Competição Cinema Falado colocam no centro algumas das questões que atravessam esta edição: pertença, memória, deslocação, identidade e as formas como o cinema pode interrogar o presente a partir de diferentes geografias e linguagens.
A forte presença de produção portuguesa prolonga esse olhar por várias secções do festival, enquanto o foco dedicado a Alain Gomis aproxima ficção, documentário e pensamento pós-colonial.
A música ganha também um lugar particular na programação, entre a competição Transmission e “O Futuro é Punk”, programa especial que propõe o regresso às primeiras explosões do punk em Londres, Nova Iorque e Berlim para observar a sua permanência enquanto linguagem cultural, política e estética, cinquenta anos depois.
A língua portuguesa ocupa, então, um lugar central na seleção. A Competição Cinema Falado propõe um conjunto de observações sobre o quotidiano, atravessando histórias da diáspora cabo-verdiana, de Moçambique, da comunidade cigana, do Brasil e das paisagens ibéricas. A seleção inclui “Nha Balila”, de André Xina e Inês T. Alves; “Cochena”, de Diogo Allen; “Fosfeno”, de Miguel Filgueiras; “A Miragem”, de Bingham Bryant; “Os Continuadores da Revolução”, de Pedro Neves, e “Amílcar”, de Miguel Eek, que revisita através de cartas, poemas e arquivos a vida e o pensamento político de Amílcar Cabral.
Na competição Transmission, “Esta Vida de Marinheiro”, de Paulo Miguel e Borges Antunes, recupera a vida e obra de João Aguardela.
A Competição Cinema Novo reúne várias curtas portuguesas, enquanto o programa “Entre Imagens” percorre diferentes representações do Porto através de obras de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Fernando Lopes, Sandro Aguilar, Sério Fernandes e Jorge Quintela, numa parceria com o programa Malha. Nota especial ainda para a passagem de “Auto da Casa”, de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, e “Curadores da Rua”, de Luís Pedro Costa e António Toga.
Um dos focos desta edição é dedicado ao franco-senegalês Alain Gomis, cineasta cuja obra cruza ficção e documentário para abordar temas como exílio, identidade e memória.

