A celebração do centenário de Marilyn Monroe é o pretexto para um grande ciclo de cinema, no Nimas, em Lisboa, ao mesmo tempo que a Cinemateca Francesa se prepara para inaugurar uma exposição que dá uma nova visão da célebre atriz e ícone, que faleceu em 1962, aos 36 anos.
A Medeia Filmes anunciou que o cinema Nimas lhe dedicará uma retrospetiva que vai apresentar praticamente todos os filmes importantes da sua meteórica carreira, ficando de fora apenas “Os Meus Lábios Queimam” (“Don’t Bother to Knock”, 1952), onde contracenou com Richard Widmark.
A partir de 16 de abril, aquela sala apresenta sessões com as cópias restauradas de “Louco por Mulheres” (1949), onde contracenou com Groucho Marx, “Quando a Cidade Dorme” (1950), de John Huston, e o vencedor dos Óscares “Eva” (1950), de Joseph L. Mankiewicz, onde teve papéis secundários que contribuíram para Hollywood começar a reparar nela.
“Desengano” (1952), de Fritz Lang, e “A Culpa foi do Macaco” (1952), de Howard Hanks, que antecederam a ascensão na indústria em 1953 com “Niagara”, de Henry Hathaway, um filme de baixo orçamento que arrecadou quase seis vezes o seu custo, “Os Homens Preferem as Loiras”, novamente de Hanks, e “Como se Conquista um Milionário”, de Jean Negulesco, todos também no ciclo.
A consagração chegou com “Rio sem Regresso” (1954), de Otto Preminger e ao lado de Robert Mitchum, e “Parada de Estrelas” (mais conhecido pelo título original “There’s No Business Like Show Business”, 1954), de Walter Lang, incluídos na retrospetiva.
São ainda apresentados os títulos que solidificaram o mito até ao prematuro desaparecimento: “O Pecado Mora ao Lado” (1955), de Billy Wilder, “Paragem de Autocarro” (1956), de Joshua Logan, “O Príncipe e a Corista” (1957), de Laurence Olivier, “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), num reencontro com Wilder, “Vamo-nos Amar” (1960), de George Cukor, e o seu último filme “Os Inadaptados” (1961), novamente às ordens de Huston e ao lado de Clark Gable e Montgomery Clift.
Os 100 anos do nascimento são também o tempo em que Marilyn Monroe é apresentada como uma figura feminista, pioneira de uma certa resistência em Hollywood, bem distante da sua imagem tradicional de loira inocente.
Esta é uma perspectiva relativamente recente e é o foco de uma exposição que está entre hoje (8 de abril) e 26 de julho na Cinemateca Francesa, em Paris.
A exposição, que inclui imagens, excertos de filmes e alguns dos vestidos e adereços que forjaram a sua lenda, revela uma outra faceta de um mito moldado pelos estúdios de Hollywood, que transformaram uma jovem operária num ícone global a partir de meados da década de 1940.
A mostra em Paris não foge ao lado glamoroso do mito, mas revela uma Marilyn Monroe, de seu nome verdadeiro Norma Jean Baker, muito menos inocente do que a que é retratada no ecrã.
A atriz criou a sua própria produtora, frequentou cursos no Actors Studio em Nova Iorque e gradualmente tentou libertar-se do seu contrato com a Fox, estúdio que a queria relegar para papéis de mulher fútil.
À medida que a sua aura crescia, Monroe insurgiu-se contra o sistema dos estúdios.
Na década de 1950, recusou participar num projeto de adaptação do musical “The Girl in Pink Tights”, considerando o argumento medíocre e descobrindo que receberia três vezes menos do que Frank Sinatra, com quem partilhava o protagonismo.
Preferiu papéis mais sombrios, como em “Paragem de Autocarro” e “Os Inadaptados”, embora tenham sido fracassos de bilheteira. No entanto, são apontados como dos melhores da sua carreira.
Fonte: SAPO
Liliana Teixeira Lopes

