Liliana Teixeira Lopes

Cinco séries portuguesas de ficção, com episódios de pouco mais de um minuto, para serem vistas em telemóveis, estrearam-se na segunda-feira nas plataformas da RTP, acompanhando um fenómeno internacional do audiovisual.

As cinco séries são uma produção da produtora SPi e ficaram disponíveis ao longo da semana na plataforma de streaming RTP Play e nas redes sociais da RTP. Intitulam-se “Herança Fatal”, “A Casa dos Outros”, “Além do Silêncio”, “Sextortion” e “Sabores de Amor”, e abordam temas que vão da violência doméstica à crise habitacional.

Designadas “microdramas” ou “microsséries”, estas produções são um formato inovador recente a nível internacional, com histórias pensadas para serem vistas em telemóveis – com o ecrã na vertical – e acessíveis para o espetador em qualquer local.

De acordo com o argumentista e produtor Pedro Lopes, autor do projeto e diretor de conteúdos da SPi, a criação destas séries de muito curta duração decorre de uma janela de oportunidade e de negócio perante uma dispersão da atenção do espetador por múltiplos ecrãs.

Na semana passada, o diretor de programas da RTP1, José Fragoso, dizia à agência Lusa que a televisão pública tem investido num “largo espectro de atividade na área da ficção em áreas muito diversas, que vão desde a ficção linear que passa na televisão até a ficção que passa só na plataforma”.

A aposta nestas microsséries faz parte dessa estratégia da estação pública de chegar a mais públicos, sobretudo pelo streaming e pela presença em redes sociais como o Tik Tok e o Instagram.

Por seu lado, Pedro Lopes acredita que esta diversificação de consumo de audiovisual vai perdurar e deu o exemplo da China, onde, em 2025, as receitas deste formato ultrapassaram “em muito” a bilheteira dos cinemas e a plataforma Tik Tok criou a PineDrama, uma aplicação exclusiva para microdramas.

Em novembro passado, a revista Variety escrevia que o mercado dos microdramas poderá atingir, a nível global, os 22 mil milhões de euros de receita em 2030, mas que há ainda questões sobre custos para os espetadores, nomeadamente sobre assinaturas pagas exclusivas para aceder a estes conteúdos.

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