Um novo confronto político emergiu em Espanha em torno do destino de “Guernica”, a célebre obra de Pablo Picasso, após o Governo basco ter solicitado a sua transferência temporária para Bilbau, diz o The Guardian.
O pedido mais recente pretende assinalar o 90º aniversário do bombardeamento da cidade basca de Guernica, propondo que o quadro seja exibido no Museu Guggenheim de Bilbao entre 1 de outubro e 30 de junho. No entanto, a obra encontra-se exposta no Museu Reina Sofía desde 1992, e sucessivos pedidos para a sua deslocação têm sido rejeitados.

O Museu Reina Sofía mantém a posição de que a deslocação de “Guernica” representa um risco para a integridade da obra. Esta preocupação tem sido central nas recusas anteriores, incluindo em 2000, quando o Museum of Modern Art solicitou o empréstimo da pintura. Na altura, o museu espanhol afirmou que o quadro, considerado um dos seus principais ícones, deveria permanecer fora de qualquer política de empréstimos.
“Guernica” foi pintado em 1937, pouco depois do bombardeamento da cidade basca, ocorrido a 26 de abril desse ano, durante a Guerra Civil espanhola. O ataque foi levado a cabo pela aviação italiana, aliada das forças lideradas por Franco, e é frequentemente citado como um dos primeiros exemplos de bombardeamento aéreo de civis em larga escala. O número de vítimas varia significativamente nas estimativas, entre 126 e 1.654 mortos.

A obra de Picasso, marcada pelo seu estilo monocromático e composição dramática, tornou-se um símbolo internacional dos horrores da guerra. Após a sua criação, foi apresentada na Exposição Internacional de Paris de 1937 e posteriormente exibida em vários países europeus e nos Estados Unidos.
Durante a ditadura franquista, Picasso opôs-se ao regresso da pintura a Espanha, o que levou a que permanecesse durante anos no Museum of Modern Art, em Nova Iorque. Só após o fim do regime é que a obra regressou ao país, acabando por ser instalada em Madrid.
Fonte: The Guardian / Lusa
Liliana Teixeira Lopes

