Liliana Teixeira Lopes
O realizador Pedro Cabeleira quer levar “Entroncamento”, nas salas de cinema comerciais a partir desta quinta-feira, a todo o país, para chegar a comunidades suburbanas como as que retrata na obra em que regressa ao sítio onde cresceu.
Em entrevista à agência Lusa, o realizador explica que o retrato de uma juventude que teme a estagnação, numa cidade ferroviária onde cresceu antes de se mudar para Lisboa, encerra uma série de recortes “geracionais” que iniciou com “Verão Danado”, filme que lhe deu notoriedade, após a menção especial no festival de cinema de Locarno em 2017.
Lê-se na sinopse: “Em fuga de um passado turbulento, Laura refugia-se no Entroncamento para reconstruir a sua vida. Dividida entre um emprego honesto e os esquemas do pequeno crime, cruza-se com uma juventude desencantada não muito diferente de si. Nas ruas da cidade ferroviária sobressaem as lealdades, a ganância, a violência e a má sorte, mas toda a gente só quer uma vida melhor”.
Com Rafael Morais, Ana Vilaça, Tiago Costa e Cleo Diára, depois de ter estreado no programa ACID, paralelo ao festival de Cannes, “Entroncamento” passou em Portugal pelo Leffest e pelo Caminhos do Cinema Português, e tem “sido bem recebido”, antes da estreia comercial que acontece agora.
“Memórias do Teatro da Cornucópia”, documentário realizado por Solveig Nordlund é outra das estreias de cinema e acompanha mais de quarenta anos da história do teatro de intervenção da companhia cofundada por Luis Miguel Cintra.
Para o ator e encenador, o filme é “uma constelação de memórias que transbordam amizade, lealdade, inocência”: “Dá conta do mais importante […], da vida que a gente deixou dentro do que fez”.
E o que fez era o teatro, “uma procura da felicidade”, recorda Luis Miguel Cintra no início do documentário, sobre a génese da companhia que fundou com Jorge Silva Melo, em 1973. Para Solveig Nordlund, em declarações à agência Lusa, era “uma coisa bonita de uma companhia como já não há”.
A realizadora conhece bem esse início e os anos que se seguiram, tanto quanto podia permitir a partilha do mesmo edifício, na Rua Tenente Raul Cascais, em Lisboa, pela Cornucópia e a cooperativa de cinema Grupo Zero, que fundara com o realizador Alberto Seixas Santos em 1974.
O documentário conta com narração de Luis Miguel Cintra e de Cristina Reis, a figurinista e cenógrafa que se manteve até ao fim da companhia. Os dois resistentes.

