Destaque de Carlos Cardoso
A fechar o ano passado surgiu do nada um single do projecto GENA, “Circlez”, que se destacou na cena neo-soul/hip-hop da música negra americana. São duas figuras que adoramos e seguimos de perto na Oxigénio; a cantora de Dallas (Liv).e o baterista de Detroit, Karriem Riggins.
O projecto junta a voz mutante de (Liv).e e o baterista/beatmaker Karriem Riggins. Ela vem do R&B experimental, da soul fragmentada com colagens lo-fi. Ele traz décadas de jazz, hip-hop e produção para gente como J Dilla e Common. O encontro soa íntimo mas fora do eixo, o que só lhe confere charme extra.
O álbum oscila entre a neo-soul, broken beat, hip-hop low-fi e jazz espiritual, com batidas cruas, com textura e som de vinil gasto. O Rhodes brilha numa produção em que nada é polido em excesso, em que se opta pela verdade do som.
(Liv).e canta como quem sussurra segredos num gravador de cassetes e Riggins produz padrões rítmicos moldáveis, em que joga com variações de tempo e swing.
É um álbum de texturas e respiração, minimalista, mas envolvente. Um prazer discreto, um exercício de neo-soul experimental com nervo jazzístico e gramática hip-hop, que deixa marca pela sofisticação rítmica e identidade própria.

