Liliana Teixeira Lopes
Em exposição em Los Angeles estão dezenas de desenhos, “storyboards” e outros elementos, que foram doados pelo famoso Estúdio Ghibli. Com ondas simuladas, mesas de animação e dezenas de esboços originais em exposição, uma nova mostra no Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas oferece uma imersão no mundo aquático de “Ponyo à Beira-Mar”, o clássico de animação de Hayao Miyazaki de 2008.
O “museu dos Óscares”, como é popularmente conhecido, foi inaugurado em 2021 com uma retrospetiva dedicada ao grande mestre da animação japonesa.
Quase cinco anos depois, estão em exposição dezenas de desenhos, “storyboards” e outros elementos criados para o filme e doados à instituição de Los Angeles pelo mundialmente famoso Estúdio Ghibli de Miyazaki.

“É um tesouro tão valioso que devemos partilhá-lo com os nossos visitantes”, disse Jessica Niebel, curadora da exposição, à agência France-Presse.
O museu dedicou mais de 350 metros quadrados ao mágico filme.
Inspirado em “A Pequena Sereia”, o conto de fadas de Hans Christian Andersen, o filme de Miyazaki gira em torno de um peixinho dourado com cara de menina que é resgatado por Sosuke, um rapaz de cinco anos.
Apesar da relutância do seu pai, o feiticeiro que vive no fundo do mar Fujimoto, a pequena Ponyo apaixona-se pelo seu novo amigo e abdica dos seus poderes mágicos para se tornar humana.

Totalmente desenhado à mão, o filme foi aclamado como uma obra-prima visual, marcando o regresso de Miyazaki à animação tradicional do início da sua carreira, depois de incorporar imagens geradas por computador no vencedor do Óscar “A Viagem de Chihiro” (2001) e “O Castelo Andante” (2004).
“O que torna o ‘Ponyo’ realmente especial é que ele instruiu a sua equipa, desde o início, que tudo no filme precisava de se mover”, disse Niebel, recordando como os artistas criaram um exuberante mundo aquático, com cores vibrantes debaixo de água e ondas que mudavam consoante o clima.
Mas a exposição imersiva é, acima de tudo, “voltada para as crianças”, o público principal do filme, afirmou Niebel.
As crianças mais pequenas podem brincar em instalações azuis que simulam ondas, deslizar uma figura de “Ponyo” por uma parede que imita o oceano ou esconder-se numa réplica do balde verde de Sosuke, utilizado para recolher peixinhos dourados.
As crianças e os seus pais são convidados a sentar-se em mesas de animação para posicionar tubarões, alforrecas e caranguejos, tirando fotografias, quadro a quadro, para criar a sua própria sequência animada — tudo sob o olhar benevolente dos idosos do filme, num lar de idosos ameaçado pela subida do nível do mar.
Niebel disse esperar que a exposição possa “inspirar a geração mais jovem a pensar em tornar-se cineasta” ou artista.
Esta mostra foi inaugurada no passado dia 14 de fevereiro e está patente até janeiro de 2027.

