A presença de músicas com conteúdo explícito nos rankings mais populares do Spotify registou uma queda acentuada nos últimos anos. De acordo com uma nova análise conduzida pelo jornalista musical Daniel Parris, o número de temas  com aviso de conteúdo explícito no diminuiu 61% desde 2018.

Os dados, publicados na newsletter “Stat Significant”, mostram que as músicas classificadas como explícitas representavam 74% do Top 50 do Spotify em 2018. Em janeiro de 2026, essa percentagem caiu para apenas 13%.

Segundo Parris, esta transformação pode ser explicada por duas tendências principais. A primeira é o crescente sucesso de músicas mais antigas, frequentemente designadas como “clássicos modernos”, que têm regressado aos rankings de streaming. Entre os exemplos destacados estão Mr. Brightside, dos The Killers ou Don’t Stop Believin’, dos Journey, que continuam a ocupar posições de destaque na plataforma.

A segunda razão apontada é a diminuição da relevância comercial do hip-hop. Historicamente, este género musical concentra uma grande parte das músicas classificadas como explícitas devido à linguagem utilizada e aos temas abordados. No entanto, o hip-hop tem registado uma redução na sua quota de audições, refletindo-se também numa menor presença nas tabelas de streaming.

Parris descreve este fenómeno como uma “limpeza” do panorama musical. Contudo, o jornalista considera que a tendência não significa necessariamente que os ouvintes estejam a preferir conteúdos mais familiares ou conservadores. Em vez disso, poderá representar um reajustamento natural após décadas de forte crescimento da música explícita.

O estudo recorda ainda a influência histórica da campanha lançada em 1985 pelo Parents Music Resource Center nos Estados Unidos que tinha como objetivo alertar os pais para conteúdos relacionados com violência, drogas e sexualidade presentes em determinadas músicas.

Embora a campanha tenha popularizado o famoso selo “Parental Advisory”, muitos analistas consideram que o efeito acabou por ser o oposto do pretendido. O chamado “efeito do fruto proibido” terá contribuído para aumentar o interesse dos jovens por músicas consideradas controversas, impulsionando durante décadas a popularidade de conteúdos explícitos.

Os dados agora divulgados sugerem que essa tendência poderá estar finalmente a inverter-se, marcando uma nova fase nos hábitos de consumo musical das plataformas de streaming.

Mariana Cruz