A Academia Portuguesa de Cinema revelou os seis filmes pré-selecionados no processo de candidatura ao Óscar de Melhor Filme Internacional, iniciando-se agora a votação pelo escolhido.

Em comunicado, a Academia Portuguesa de Cinema anunciou que os filmes pré-selecionados são “18 Buracos para o Paraíso”, de João Nuno Pinto, “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira, “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, “Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, “Projeto Global”, de Ivo M. Ferreira, e “Terra Vil”, de Luís Campos.

Os membros da Academia Portuguesa de Cinema já podem votar no filme que vai ser candidato a uma nomeação aos Óscares de Hollywood, até 10 de setembro.

João Nuno Pinto foi motivado a fazer “18 Buracos para o Paraíso” pela transformação do território do Alentejo através da especulação imobiliária, agricultura intensiva e seca extrema, com o filme a estrear-se nos cinemas portugueses em junho.

Por seu lado, “A Memória do Cheiro das Coisas” é uma narrativa ficcional, cuja história se centra em Arménio, que, à beira de completar 80 anos, passa a viver num lar, contrariado por ser tratado como os outros utentes idosos e incapaz de aceitar apoio de uma auxiliar portuguesa negra.


Já “Maria Vitória”, de Mário Patrocínio, é uma história rodada na região da Serra da Estrela. O título do filme remete para a personagem principal, uma adolescente do interior do país, para quem o pai sonha um futuro como guarda-redes profissional, num clube numa grande cidade. Há ainda o irmão, que regressa à aldeia depois de vários anos emigrado, confrontando a família com mágoas do passado, nomeadamente sobre a mãe, que morreu num grande incêndio que assolou a região.


“Primeira Pessoa do Plural”, de Sandro Aguilar, é protagonizado por Albano Jerónimo e Isabel Abreu, nos papéis de um casal à beira de celebrar 20 anos de casamento, e conta também com Eduardo Aguilar, que interpreta o filho adolescente.


“Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, é dos seis a obra com mais espetadores da lista, totalizando 9.200 desde a estreia em abril. O filme recria o tempo polarizado dos anos 1980 em Portugal, numa democracia recente e em construção, em que um grupo armado – Forças Populares 25 de Abril (FP-25) -, descontente com o rumo do país, organizou dezenas de assaltos violentos, atentados e ações consideradas terroristas, que causaram 17 mortes.

A história de amparo entre duas famílias fragmentadas é o centro do filme “Terra Vil”, uma ficção na qual o realizador Luís Campos quis também retratar uma comunidade e uma região marcadas pela tragédia de Entre-os-Rios. “

Portugal nunca teve um filme nomeado na categoria de Melhor Filme Internacional, mas conseguiu, em 2023, uma nomeação para Melhor Curta-metragem de Animação, com “Ice Merchants”, de João Gonzalez.

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Fonte: Academia Portuguesa de Cinema / Lusa

Liliana Teixeira Lopes