O documentário de Luís Almeida revisita as origens do rap em Almada e no Miratejo, recuperando as memórias e os testemunhos de uma geração que ajudou a moldar o hip hop português.

Vai ficar também disponível na RTP Play a partir da mesma data, o filme tem uma duração de 60 minutos e recupera a história de,dois dos primeiros grandes focos de afirmação desta cultura em Portugal.

Através dos testemunhos de alguns dos seus protagonistas, de fotografias e de imagens de arquivo, o documentário percorre as memórias, as experiências e os momentos que marcaram o desenvolvimento do hip hop na Margem Sul do Tejo. Num território caracterizado pela diversidade cultural, pela consciência política e pelas dinâmicas das classes trabalhadoras no período pós-25 de Abril, o rap tornou-se uma forma de expressão para uma geração que não se revia nas referências culturais dominantes.

Entre os nomes que contribuem para esta viagem estão General D, KJB, Gutto, Xullaji, MC Nilton, Pump, Clay, Davidson, Bjoy, Shiva, TNT, Kulpado, Juana na Rap e Gutti, entre outros. O filme procura preservar não só a memória de artistas que marcaram a história do género em Portugal, mas também a de figuras e coletivos cuja importância nem sempre ficou registada na discografia nacional.

A iniciativa começou com uma exposição homónima, inaugurada em outubro de 2024 no Museu de Almada – Casa da Cidade, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e dos 30 anos da coletânea RAPública, editada em 1994 e considerada um marco na afirmação discográfica do rap português. O projeto deu também origem a um livro, publicado em fevereiro de 2025, com textos de Ricardo Farinha, em colaboração com Rui Miguel Abreu, Francisco Freitas e Daniel Freitas.

Depois de passar por festivais como o IndieLisboa, em 2025, o documentário prossegue agora o seu percurso televisivo, levando a um público mais alargado uma história fundamental para compreender a formação e a identidade do hip hop português.

Mariana Cruz