A nova plataforma criada pela ZABRA reúne pelo menos 17 espaços culturais independentes que desapareceram da cidade, mas também identifica aqueles que continuam a resistir.
Desde 2020, Lisboa perdeu pelo menos 17 espaços culturais independentes. Salas de concerto, clubes, estúdios, galerias e associações que ajudaram a formar artistas, públicos e comunidades fazem agora parte do Lisboa Extinta, um mapa digital que procura documentar o desaparecimento destes lugares e dar visibilidade aos que continuam em atividade.
Criada pela ZABRA – Centro de Investigação de Arte Pós-humana, sediada em Lisboa desde 2018, a plataforma reúne duas categorias: “Extintos”, dedicada aos espaços que encerraram a partir de 2020, e “Resistentes”, que identifica aqueles que permanecem abertos, apesar das dificuldades que enfrentam.
Cada espaço incluído no mapa é acompanhado por informação sobre o seu percurso, o ano de encerramento, as atividades que acolhia, o impacto que tinha no bairro e as razões que levaram ao seu desaparecimento. Entre os fatores apontados estão o aumento das rendas, dificuldades com licenças, a venda de edifícios e a falta de apoio estrutural.
A Zabra apresenta o projeto como uma ferramenta para compreender as condições que levam ao encerramento destes espaços e ajudar a proteger os que ainda existem. A plataforma pretende mostrar que o desaparecimento de cada sala, clube ou associação não representa apenas a perda de um espaço físico, mas também de uma parte da identidade cultural da cidade.
O Lisboa Extinta é apresentado como um arquivo em permanente construção, aberto à participação do público. Através do site, é possível sugerir espaços que ainda não estejam representados, partilhar fotografias e memórias ou corrigir informação já publicada.
Mariana Cruz

