Os artistas portugueses Lara Dâmaso, Nídia, Dj Firmeza e Helviofox vão participar na 70ª edição do Festival Internacional de Música Contemporânea da Bienal de Veneza, de 10 a 24 de outubro, levando ao festival uma componente social e comunitária.
Sob o título “A Child of Sound”, a programação de 2026 é dirigida por Caterina Barbieri e reúne mais de 130 artistas em 40 eventos, incluindo 23 obras inéditas, 18 delas em estreia mundial, atravessando séculos e continentes, misturando tradição, música clássica, experimental e eletrónica.
A participação portuguesa vai levar ao festival a fusão entre eletrónica e influências da diáspora africana, expressando a cultura das comunidades descendentes das antigas colónias portuguesas em África, fazendo ligação entre os sons de Lisboa e o estilo africano, explicou Caterina Barbieri.

Nídia, Dj Firmeza e Helviofox apresentam-se com projetos desenvolvidos em colaboração com a editora Príncipe, fundada em Lisboa em 2011, dedicada à “promoção da música de dança contemporânea nas periferias e bairros populares da cidade, trazendo um profundo compromisso social e comunitário ao trabalho dos seus artistas locais”.
Além disso, a artista Lara Dâmaso participa no Biennale College 2026, programa de residências de criação que envolve músicos, compositores e artistas sonoros com menos de 30 anos, realizando performances ao vivo, composições acousmáticas e instalações audiovisuais.
A jovem compositora, artista sonora e intérprete portuguesa foi uma dos cinco jovens selecionados por Caterina Barbieri – os restantes são provenientes do Canadá, Estados Unidos, Brasil e Itália -, que irão desenvolver os seus projetos durante três residências em Veneza, em abril, junho e setembro.
O conceito central do festival inspira-se na ideia de que a música é a “infância do espírito”, uma experiência que reconecta a um estado primordial de abertura, vitalidade e criatividade, retomando o pensamento de Karlheinz Stockhausen sobre a importância de uma escuta não condicionada, livre de convenções culturais ou estilísticas, explicou a diretora.

O programa inclui comissões originais e trabalhos coletivos que exploram formas dinâmicas e participativas de escuta, combinando obras ‘site-specific’ com estreias mundiais de compositores contemporâneos de referência.
Entre as estreias mundiais do festival destacam-se “Musica per una fine”, de Ennio Morricone, apresentada pelo Parco della Musica Contemporanea Ensemble, com 32 instrumentistas e coro de 16 vozes, uma obra inédita publicada postumamente, e construída em torno de um poema de Pier Paolo Pasolini lido pelo próprio autor.
Novas vozes da música eletrónica italiana, Marta De Pascalis e Grand River, surgem com trabalhos inéditos, enquanto figuras consagradas como Laraaji realizam performances e ‘workshops’, entre as muitas iniciativas que fazem parte do Festival Internacional de Música Contemporânea da Bienal de Veneza.
https://www.labiennale.org/en/music/2026
Fonte: Lusa
Liliana Teixeira Lopes

