Um homem de 57 anos foi acusado de fraude nos Estados Unidos por alegadamente ter simulado investimentos no valor de 3 mil milhões de dólares na plataforma de partilha de música Napster, numa operação que terá envolvido documentos bancários falsificados e websites fraudulentos.
Segundo a acusação apresentada pelo Tribunal Distrital do Sul de Nova Iorque, Charles Cole terá utilizado registos bancários falsos para obter de forma fraudulenta cerca de 239 milhões de ações da empresa tecnológica Infinite Reality, proprietária do Napster desde 2024.
As alegadas irregularidades terão ocorrido entre 2024 e 2026. De acordo com o processo, Cole convenceu a empresa de que possuía milhares de milhões de dólares disponíveis para investir, levando a Infinite Reality a emitir ações em seu nome e em nome de entidades sob o seu controlo.
A acusação sustenta que o suspeito utilizou posteriormente essas ações como garantia para tentar obter empréstimos junto de instituições financeiras. Para sustentar a fraude, terá criado documentação bancária falsa, trocado correspondência fraudulenta e até desenvolvido um website que imitava o de uma instituição bancária estrangeira.
Os procuradores alegam ainda que, quando os pagamentos prometidos não chegaram à empresa, Cole afirmou possuir milhares de milhões de dólares numa segunda conta bancária localizada na Malásia. No entanto, as autoridades afirmam que essa alegada conta fazia parte de um esquema mais amplo de falsificação.
Segundo o processo judicial, Cole e um alegado cúmplice instalaram servidores offshore para alojar um portal falso que replicava o website de um banco estrangeiro real.
A fraude terá sido descoberta antes de o esquema produzir os efeitos pretendidos. A Infinite Reality acabou por cancelar as ações emitidas a Cole e às entidades associadas, interrompendo o alegado plano.
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, os crimes de fraude eletrónica e conspiração para fraude eletrónica podem resultar em penas até 20 anos de prisão cada.
Mariana Cruz

